terça-feira, 31 de julho de 2012


Não me sai da cabeça a imagem da senhora que atendi um dia desses. Os oitenta e poucos anos que traz consigo estampam o sofrimento de quem parece que não fez outra coisa na vida. A sua voz, trêmula, em agrura, nos poucos minutos em que a ouvi, narravam uma história que a mesma, e nenhuma mãe, merecia passar. Ela falava: “Seu moço, eu procuro não dá trabalho pra ninguém. O pouco que me oferecem eu já fico satisfeita.” Essa senhora mora com o rapaz que ela colocou no mundo, que me recuso a atribuir o nome de “filho”. 

O dito cujo toma conta dos dois benefícios que a mãe recebe e em contrapartida oferece-lhe migalhas. Relega à sua mãe o pior sofrimento que uma pessoa pode ter: o esquecimento e a ingratidão. A senhora me relatava, fazendo os gestos que outrora fazia, da forma mais emotiva possível, que “quando era pequeno ela cuidava, dava banho, arrumava o cabelinho, passava um perfume, deixava cheirosinho, barriguinha cheia e que agora recebia o tratamento da ingratidão”. Nesse momento a vizinha que a acompanhava, por piedade e por humanidade, já se emocionava ao lado. Confesso que tive que me segurar para não me emocionar além do que já estava, na hora do atendimento. Eu fico aqui a pensar de como o ser humano pode demonstrar tanta crueldade com alguém que lhe deu carinho, amor, alimento, proteção. Imagina, então, com alguém que nem conhece? As vezes penso em nem sair de casa para não bater de frente com algum “ser humano” desse tipo.

quinta-feira, 12 de julho de 2012


TEMPO

O tempo está ficando curto porque tudo está mais rápido ou tudo está mais rápido porque estamos sem tempo? Newton dizia que o tempo era absoluto e o entendia como um conceito puramente matemático. Ai veio Einstein e disse que o tempo era relativo. E eu, que pouco ou nada sei sobre as teorias físicas do espaço-tempo tenho, cada dia tenho mais certeza, de que o tempo não é absoluto e muito menos relativo. O tempo é, sim, volátil. 
A sensação de que mal acordamos e já está na hora de deitar novamente é cada vez mais comum. Nem sentamos para fazer uma refeição e logo chega a hora de voltar as atividades habituais. Aceleramos, de todas as maneiras, as formas de fazer as coisas do cotidiano. As panelas funcionam na pressão para cozinhar mais rápido, mas falta tempo para se preparar uma boa refeição. Os carros são mais velozes,mas falta tempo para para os encontros familiares. A comunicação é quase que instantânea, através da internet e celular, mas falta o que conversar, pois estamos sempre ocupados. Nos falta tempo para as coisas mais triviais. Os cumprimentos estão cada vez mais escassos. Muitas vezes resume-se a um simples “ oi, tudo bem?”. Onde ambos dizem a mesma coisa e ninguém fica sabendo se um está bem ou outro está mal. Os encontros, além de pouco frequentes, estão reduzidíssimos, pois chegamos, sempre, tarde do trabalho e temos que dormir cedo para no outro dia voltar à mesma rotina e à mesma falta de tempo. O absolutismo e relativismo do tempo foi absorvido por uma volatilidade cada vez mais aparente desse mesmo tempo. Não percebemos que tudo está ficando cada vez mais rápido pela falta de tempo e, também, estamos sem tempo porque tudo está ficando mais rápido. É uma via de mão-dupla. Tudo está interligado e nem nos damos conta do que está a acontecer. Como dizia Gregório de Matos, lá nos idos do século XVI, onde o tempo ainda nem era absoluto e nem relativo: "O tempo não me dá tempo de nem o tempo fruir, e nessa falta de tempo, nem vejo o tempo fugir”

domingo, 8 de julho de 2012

Em uma viagem de ônibus nos deparamos com pessoas dos mais variados tipos. Ontem, em viagem de Xique-Xique para Barreiras já me chamava atenção uma senhora falando alto no celular, provavelmente com algum filho que a esperava no seu destino final. A mulher, enquanto o sinal do celular ainda se fazia presente, passava as coordenadas da viagem para o provável filho. Informava que já havia saído o ônibus e o horário que deveria chegar. Porém, o momento mais interessante foi quando o ônibus chegou para a travessia da balsa, sobre o Rio São Francisco, entre as cidades de Xique-Xique e Barra. 
Travessia comum e natural, para quem inúmeras vezes por ali já passara. Mas para a senhora do celular, parecia algo ainda não vivenciado. A cara do medo estava estampada em sua face. Não sabia se descia do ônibus ou se ficava em pé, próximo a sua poltrona. Novamente ligara para seu filho. Informa que estava atravessando "um negócio que tinha água" numa "coisa branca". Ela, realmente, não sabia onde estava. Chamara o Rio São Francisco de "um negócio que tinha água"e a balsa de "coisa branca". Ou sabia onde estava, mas o medo lhe tirara a noção de onde poderia estar.  A sua filha, que lhe acompanhava na poltrona ao lado, pegou o celular e começou a falar com o provável irmão que a mãe estava chorando, como medo. A mulher do celular estava com medo do novo. Daquilo que nem sabia o era realmente. Medo da noite, do barulho da balsa, do brilho que a lua cheia emprestava ao Rio São Francisco. Enfim, a balsa atravessou o rio tranquilamente e a viagem prosseguiu na mais perfeita paz. Eu dormir, mas a mulher do celular ainda deve ter passado, agora bem mais calma, informações para o seu filho que a aguardava no oeste baiano.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Começou, oficialmente, a propaganda política. Geralmente a palavra propaganda se refere à transmissão de ideias. O que vemos, no entanto, em Xique-Xique é a transmissão de balelas. Para a grande maioria não existem candidatos. Se fossem bonecos de postos de gasolina os nomes escolhidos, poucos iam perceber a diferença. O que ouve-se pelos quatros cantos da cidade são os "slogans": "Agora Pega" e "Já Pegou". É um  fenômeno interessantíssimo do comportamento humano. Os carros estampam os nomes atribuídos aos seus candidatos, as crianças brincam com os termos e os "bestas" espalham as ideias criadas pelas "mentes pensantes" dos referidos grupos. Nada de novo se observa. A mesma forma de se fazer política é a utilizada. O único fenômeno que pode ser tido como novo é a massificação dos embates, infantis, diga-se de passagem, na internet. Os postulantes ao cargo máximo do executivo municipal não tem densidade nenhuma, politicamente falando. Representam dois pontos de vistas distintos, o que era de se esperar. Mas é um distinto, que, ilogicamente, se assemelha demais. O tão esperado novo, ou nem tão esperado por muitos, não existe. O que posso observar, tristemente, é que vivemos numa pasmaceira política intermitente. Esperemos as propostas de governo para uma melhor análise dos grupos.

sábado, 8 de agosto de 2009

COISAS


Futramente poderá ter alguma coisa, ou não. Essa é minha planta: comigo-niguém-pode (Dieffenbachia picta Schott). É uma planta tóxica.